Clique aqui para ler uma versão resumida da história da raça.

 INTRODUÇÃO

Como veremos, a história do Cavalier King Charles Spaniel ultrapassa cinco séculos e figuram nesta história muitas personalidades importantes. Para que a mesma exista há tanto tempo, estas pessoas foram cruciais, tanto pelo status do qual gozavam, quanto pelos seus papéis como criadores de cães.

Mas a sobrevivência da raça, conforme a conhecemos hoje, não foi uma tarefa fácil, tampouco ocorreu inalterada. Como veremos, o cão original, King Charles Spaniel, sofreu diversas modificações estruturais e hoje não apresenta mais as mesmas características vistas nos quadros da época Renascentista e Barroca dos reis Charles I, Charles II, das Rainhas Charlotte e Anne, e outros (veja estes e muitos outros quadros na Galeria de Arte). No final do texto explicaremos o surgimento da raça Cavalier King Charles Spaniel que, esta sim, apresenta as características originais dos cães da época citada.

 

O INÍCIO DE TODOS OS CÃES

A história de todas as raças de cães começa com um ancestral em comum: o lobo. Para que hoje possamos conviver pacificamente e em harmonia com animais com instintos tão selvagens, muitas mudanças ocorreram: genéticas e comportamentais. O cão doméstico, independente da raça, é classificado cientificamente como Canis familiaris.

 

TOY SPANIELS NA EUROPA

Já a história da raça Cavalier começou há mais de cinco séculos. Estes pequenos cães não eram chamados assim ainda e, portanto, iremos nos referir a eles como Toy Spaniels.

Portrait-of-Eleonora-Gonzaga-Della-Rovere,Duchess-of-Urbino-by-TitanEstes cães eram muito apreciados pela nobreza européia. A Duquesa de Urbino, Eleonora Gonzaga della Rovere, por exemplo, fora retratada por Titian duas vezes na companhia de seu cãozinho branco e marrom. Na famosa tela Vênus de Urbino, pintada em 1538, a Duquesa Eleonora fora pintada despida (veja na Galeria de Arte). Estas pinturas são importantes não somente pelo seu valor artístico, como também podem ser consideradas um marco da presença da raça na Itália do século XVI. Outras telas pintadas por vários artistas comprovam como estes cães eram companhias da nobreza e realeza europeia, veja na Galeria de Arte.

Porém, fora na Inglaterra que a criação destes cães seria, como sabemos hoje, mais marcante e triunfante.

 

TOY SPANIELS NA INGLATERRA E MARY STUART

Philip II and Mary I, 1558, por Hans EwoutszO primeiro quadro a retratar estes cães na Inglaterra foi pintado por Hans Ewoutsz em 1558. A tela em questão retrata o casamento entre Mary I e Philip II, e mostra dois cãezinhos branco e marrom de estrutura bastante delicada aos pés do casal.

Na Inglaterra, credita-se a chegada dos Toy Spaniels a outra Mary: Mary Stuart. Embora a família Stuart já tivesse alguns cães da raça, foi da infância de Mary Stuart na França que alguns exemplares foram levados para Escócia e Inglaterra.

Missão cumprida, ou quase cumprida. Uma vez dentro dos palácios ingleses, sob aprovação e paixão dos líderes da época, todos os amavam e eles eram presença constante nas festas, nos eventos e nos passeios reais. No detalhe da pintura Vue du Bosquet de la Galerie  des Antiques dans les jardins de Versailles, pintada em 1688 por Martin Jean-Baptiste vemos os pequenos cães brincando no palácio francês. Devido à doçura e calma dos pequenos spaniels, as damas da corte até os usavam como bolsa de água quente quando tinham cólicas ou dores em geral, pois eles sempre ficavam quietinhos.

 

Detalhe da pintura Vue du Bosquet de la Galerie des Antiques dans les jardins de Versailles (1688) Martin Jean-Baptiste

Em 1587, Mary Stuart, teve a forca como seu trágico fim. Seu Toy Spaniel, que sempre esteve ao seu lado, escondeu-se abaixo de suas roupas após a execução  e recusou-se a deixá-la. Precisou ser retirado de lá e morreu de tristeza dois dias depois.

 

REI CHARLES I

The children of Charles I of England (1637) Sir Anthony van DyckA história dos Toy Spaniels continua junto à história da Inglaterra. O Rei Charles I, neto de Mary Stuart, também amava estes pequenos cães. Seu fiel companheiro, Rogue, o acompanhou até sua morte. Mas os filhos de Charles dariam continuação a história dos cãezinhos. O Rei Charles I foi pai cinco vezes como podemos ver na tela ao lado pintada em 1637 por Sir Anthony van Dyck. Nesta tela estão retratados os cinco filhos mais velhos do Rei Charles I: Charles II, James II e VII, Henry, Mary e Henriette. Futuramente o rei seria pai de Elizabeth.

 

REI CHARLES II

Charles II Prince of Wales Egmont (1630) Justus van EgmontO Rei Charles II, filho de Charles I, que comandou a Inglaterra de 1660 a 1685, foi um imenso amante da raça e, aonde ia, sempre estava acompanhado de, não só um ou dois, mas dezenas de Toy Spaniels. Da corte, para o conselho, para os aposentos reais. E daí surgiu a lenda que diz que os Charles Spaniels podiam (e podem) entrar em qualquer lugar sem serem barrados, incluindo todos os meios de transporte pelo reino.

Charles II and Nell Gwynne - Edward Matthew WardA paixão do Rei Charles II pelos cães é indiscutível. Em alguns momentos, a família chegou a ter em torno de 80 cães. O gasto com estes cães e a atenção dada pelo rei a eles e a assuntos mais banais foram discutidos por alguns de seus adversários. Todavia, o jeito descontraído e feliz que o Rei Charles II vivia, já que algumas vezes o viam brincando com seus cães em seu jardim, ou alimentando os patos, o aproximava das pessoas.

Embora já fossem muito apreciados, foi na época de Charles II, após 1660, que a raça adquiriu  seu momento de maior glória e fama. Charles II era conhecido como o Cavalier King, motivo este que levaria, quase três séculos depois, nossa amada raça a receber este nome.

Charles II viveu cercado pelos Toy Spaniels e, literalmente, morreu entre eles. A admiração por esses cães e o renome de Charles II são os responsáveis de, futuramente, os cães desta raça terem sido apadrinhados com o seu nome.

Henriette-Anne d’Angleterre, Duquesa de Orléans e irmã de Charles II também apreciava muito os cães desta raça. Veja na Galeria de Arte como ela, há muito tempo atrás, inovou, colocando “frufruzinhos” nas orelhas de seu pet.

MUDANÇAS NA POLÍTICA

Com a morte de Charles II em 1685, seu irmão, James II, tornou-se rei. James também apreciava os pequenos cães, tanto é que, chega a ser tragicômico o seguinte trecho da história.

Estavam numa viagem real em alto mar, o Rei James II, seu sobrinho e demais membros da tripulação, quando foram surpreendidos por uma forte tempestade. O navio estava dando sinais de naufrágio e o Rei da Inglaterra deu suas ordens:

“Salvem os cães!”

Após um suspiro continuou:

“…e o Duque de Monmouth”

Pode-se pensar porque o Rei ordenou que salvassem os cães antes que salvassem o seu sobrinho, mas sabemos que havia um pacto entre Charles II e James II para que a criação dos Toy Spaniels continuasse mesmo com a morte de Charles II. Todavia, em 1689, James II foi forçado a abdicar do trono a favor de sua irmã Mary e seu marido William of Orange e a história da raça, neste ponto, teve uma reviravolta.

A partir deste acontecimento, uma mudança na política aconteceu: os Stuarts foram substituídos pelos Tudors. E os cães, tão apreciados pela família de Charles II, não eram bem quistos, uma vez que os Tudors favoreciam os Pugs. A partir daí começara mudanças estéticas para “aperfeiçoar” os cães de acordo com os padrões de estética da época. E cruzamentos produziam cães diferentes daqueles originais, tão apreciados por Charles II.

JOHN CHURCHILL – O DUQUE DE MARLBOROUGH – E O PALÁCIO DE BLENHEIM

The Ninth Duke of Marlborough and His Family, 1905, por John Singer Sargent (1856-1925). Blenhein Palace, Woodstock, Inglaterra.O General John Churchill era um grande combatente que tinha realizado grandes feitos para seu país e, em troca, recebera do rei William o condado de Marlborough, em 1689. Churchill e sua esposa Sarah eram criadores de spaniels, chamados Marlborough Spaniels. Eram pequenos spaniels, com pelagem branca e marcas castanhas.

Na Guerra de Sucessão da Espanha em 1701, Churchill, sempre acompanhado de um de seus cãezinhos, levou o exército inglês ao êxito. Por tal feito fora nomeado Duque de Marlborough, em 1704, pela então rainha Anne, filha de James II. Anne também era adepta aos pequenos spaniels.

Mas isto não foi tudo. Como símbolo de gratidão, a Rainha Anne construiu para o então Duque de Marlborough, o Palácio de Blenheim. E os cães criados pelo casal Churchill, passaram a ser chamados Blenheim Spaniels. No palácio, os cães da nossa raça viviam isentos de sua simbologia política.

 RAINHA VITÓRIA E DASH

Dash - Sir Edwin LandseerBeauty's Bath - Sir Edwin LandseerDe todos os históricos cães desta raça, nenhum desfruta de tanta fama quanto o tricolor Dash da Rainha Vitória, que reinou a Inglaterra de 1837 a 1901. Dash fora dado de presente para a mãe de Vitória, a Duquesa de Kent, em 1833 pelo POSTO John Conroy e em questão de dias virou o melhor amigo da criança Vitória, que na época tinha 13 anos e era criada isolada, por questões de segurança. Mas o cãozinho Dash rapidamente preenchera a vida de Vitória.

Dash morreu aos 9 anos em 1842, e foi velado e enterrado pela própria Rainha Vitória. Em sua homenagem fora erguido uma de pedras no qual pode-se ler:

“LEITOR: se você quiser ser amado em vida

e ter sua morte lamentada,

tire proveito do exemplo de DASH.

Sua ligação era sem egoísmo,

Suas brincadeiras sem malícias,

Sua fidelidade sem engano.”

(tradução livre)

 

 O NASCIMENTO DA RAÇA KING CHARLES SPANIEL

A história dos Toys Spaniels continuou, mas enquanto não se oficializa-se o nome da raça, e definisse o padrão estrutural, a mesma não poderia ser considerada como tal. E isto é um passo de extrema importância na história de qualquer raça pois, muito além do que permitir a competição dos cães em campeonatos, a definição dos padrões da raça é o ponto de central para tal. A partir daí, sim, a raça nasce aos olhos da comunidade cinofílica.

Popularmente, Toy Spaniels já eram conhecidos como King Charles Spaniels, em homenagem a Charles II mas foi somente em 1885 que surgiu a primeira nomenclatura e padronização oficial. Nesta, o King Charles Spaniel fora dividido em quatro raças separadas de acordo com as pelagens dos cães: Rei Charles, eram os Black and Tan’s; Príncipe Charles eram os Tricolores; Blenheims como os conhecemos hoje e os Vermelhos eram chamados os rubis.

Embora fora um passo muito importante na oficialização da raça, esta nomenclatura era um tanto confusa, e em 1903 todos os cães foram classificados dentro de uma mesma raça: a King Charles Spaniel.

ROSWELL ELDRIDGE E O CAVALIER KING

Roswell.Eldridge-MyCavalierComo fora dito, o King Charles Spaniel de 1900 sofreu modificações de seus antecessores de 1600. Tais mudanças ocorreram por influências políticas, que favoreceram a entrada e adoração de cães asiáticos, sendo o Pug a raça de influência mais considerável. Em artigo do ano de 1859 percebemos que as transformações estruturais foram completas (leia aqui). Algo precisava ser feito para recriar e preservar uma parte tão bela e alegre da história da humanidade.

Entra em cena, para feliz desfecho da história desta raça, a pessoa que, ao lado de Charles II, se tornaria o maior apaixonado por estes cãezinhos: o americano Roswell Eldridge. O bem afortunado Sr. Roswell havia apreciado telas com os cães em sua infância mas foi quando adulto que resolveu viajar a Inglaterra para comprar um casal destes cães. Qual deve ter sido sua decepção ao se dar conta de que os cães da época de Rei Charles II não mais existiam? O Sr. Roswell estava decidido a encontrar algum cão como os das pinturas de Sir Edwin Landseer, da época de Charles II, e assim o fez. A partir de 1926 ofereceu um prêmio em Londres, por cinco anos consecutivos, no valor de 25 libras esterlinas a fim de encontrar cães “toy spaniel do tipo antigo com focinho comprido”.

ann's sonRoswell infelizmente não chegou a ver os resultados de seu esforço, pois morreu em 1927, um mês antes de Ann’s Son, cão de Miss Mostyn Walker,  ter sido premiado em sua disputa. Este cão fora comparado com as pinturas da época do Rei Charles II e claramente fora percebido que o arquétipo dele era adequado, razão esta dele ter sido usado como modelo para se traçar o padrão da nova raça. Além disto, Ann’s Son certamente virou um padreador de origem para os novos cães.

A nova raça deveria ser nomeada. Liderados por Miss Mostyn Walker,em 1928, o clube da raça, concordava que a nova raça deveria ter King Charles em seu nome, para evidenciar as raízes comuns com a primeira raça. A palavra Cavalier fora adicionada então para distinção entre as raças, mas a oficialização destes cães não foi uma tarefa fácil. Eles ainda eram registrados como King Charles Spaniels uma vez que o English Kennel Club demorou a aceitar a separação entre as raças. De fato, tal separação só ocorreu em 1945, quando a raça Cavalier King Charles Spaniel foi oficialmente registrada.

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